Trabalho Artístico

Uma Canção à Lua

Instalação com uma chapa circular azul que imita a Lua cheia, por baixo de um arco de pedra
Sombras de ramos e do instrumento projetadas sobre o disco azul
Disco azul visto de perto, com a sombra do instrumento de madeira
Disco azul em penumbra com o instrumento iluminado por uma luz quente

Ano_

2023

Formato_

Instalação Interactiva Multimédia, Dimensões Variáveis

Contexto_

Uma iniciativa do Museu Zer0. Instalação criada do âmbito da residência artística “ Projecto Magalhães”

Esta peça é uma canção aberta e inacabada a ser explorada e tocada por quem a visitar. Toma a forma de uma preparação cerimonial em que o artista convida o público a fazer parte de uma prática de observação metafórica e veneração da Lua através do uso do som enquanto método de aproximação ao transcendental. O artista criou esta instalação através de uma observação íntima do território natural do interior algarvio. Começando com um instrumento construído a partir de um tronco recolhido ainda incandescente após uma queimada. Nesta madeira foram instaladas lamelas metálicas feitas com material recolhido de sucata encontrada no campo. O som produzido é amplificado e reproduzido através de uma chapa metálica circular que mimetiza a Lua cheia. Sobre o instrumento e o metal são projectadas as sombras dos galhos das árvores que habitam o sítio onde o material foi recolhido, como se o espectador observasse a Lua através destes ramos. Encorajando a contemplação do mistério e estranheza que residem na realidade fundamental de todas as coisas, o espectador é convidado a sentir a sua interpretação espiritual e emocional na sua interacção directa com a instalação.

Dia Púrpura

Mateus Verde a tocar no chão do palco, junto de troncos e de uma guitarra, sob luz magenta
Mateus Verde a tocar guitarra elétrica e a cantar, sob luz roxa

Ano_

2023

Formato_

Concerto, Performance

Contexto_

Concerto encomendado pelo Município de Albufeira e incluído no GeoPalcos do evento do Geoparque algarvensis.

Concerto onde o artista combina as suas canções intimistas com as paisagens sonoras e atmosféricas da sua instalação artística “Sons do Chão”. Neste evento foram apresentados novos temas criados pelo cantautor após o lançamento do seu último álbum “Feiticeira”, incluindo passagens instrumentais que utilizam os troncos recolhidos no mato e transformados em instrumentos musicais que integram o “Sons do Chão”. Posteriormente, esta instalação artística foi exposta no Moínho do Leitão onde os visitantes poderão interagir com os instrumentos e explorar a sua sonoridade em primeira mão. Convidando a quem visita a reinterpretar a natureza circundante através desta experiência envolvente e sensorial.

Sons do Chão

Sala com troncos transformados em instrumentos, ligados por fitas pretas no chão
Mateus Verde a tocar um tronco oco, ao ar livre
Disco preto com uma fogueira projetada
Disco preto com ervas iluminadas por trás

Ano_

2021/2022

Formato_

Instalação Interactiva Multimédia, Dimensões Variáveis

Contexto_

Instalação Criada no âmbito da residência artística Emergentes II da Câmara Municipal de Faro e do Teatro das Figuras.

Na raiz da criação deste projecto esteve a exploração física, sonora e espiritual do interior algarvio. Mais enquanto Terra e ecossistema do que território. Mais focado na paisagem e nos seres não-humanos que o habitam do que nas suas gentes. Esta é uma instalação e composição em aberto a ser explorada, sentida e tocada por quem a visitar. O artista procurou captar e encapsular nestes objetos e sons a forma como experiencia o mundo natural e seu fascínio pelo belo, o misterioso e o estranho que reside na realidade fundamental de todas as coisas. Os troncos de alfarrobeira e oliveira que constituem a instalação foram recolhidos no mato e transformados em instrumentos musicais. Os vídeos e sons foram captados e criados em conjugação com este processo. Mateus Verde é um músico e artista visual algarvio. No seu trabalho, frequentemente inspirado pela natureza e seus mistérios, explora paisagens atmosféricas e sonhadoras criando um imaginário íntimo, misterioso e por vezes esotérico.

Sons do Chão | Performance

Mateus Verde com auscultadores, a tocar um tronco numa sala cheia de gente
Mateus Verde sentado entre troncos, a tocar sobre uma mesa com equipamento de som

Ano_

2022

Formato_

Conversa, Performance

Contexto_

No evento Algarve + Sustentável em Aljezur. Evento de turismo de natureza com especial foco na sustentabilidade.

Mergulho

Fotogramas em tira de um mergulho no lixo recolhido, com cores fortes
Fotogramas do vídeo com o rosto do artista entre plásticos coloridos
Fotogramas do vídeo, com plásticos e uma mão
Fotogramas do vídeo, com o rosto do artista e plásticos verdes

Ano_

2019

Formato_

Vídeo – Duração: 04m:43s (Loop)

Contexto_

Vídeo criado para exposição “Plastique Sense(a)ction”, uma exposição colaborativa com a Sara Mendes Vicente. Este vídeo foi criado com o apoio da associação Folha de Medronho, Loulé.

Abordando a temática da poluição na ria formosa, particularmente o lixo plástico e colorido que se acumula nas suas margens. Foram feitas várias recolhas de lixo. Este vídeo capta uma experiência sensorial, um contínuo mergulho literal no lixo recolhido na ria formosa. “Os materiais usados na exposição foram extraídos da vasta costa pertencente à Ria Formosa, livrando assim o lindo território do lixo que será usado na construção das peças da exposição. À saída o público foi convidado a deixar um donativo, as verbas resultantes foram direcionadas para o RIAS – Centro de Recuperação e Investigação de Animais Selvagens Ria Formosa – que se responsabiliza diariamente pela sobrevivência das espécies que habitam e dependem da Ria.”

Floresta de Prata (fotografia)

Disco branco com sombras de ramos e ervas, em preto e branco
Forma clara com um buraco irregular, em preto e branco
Silhueta escura sobre uma luz difusa, em preto e branco

Ano_

2024

Formato_

Série de 22(+) Fotografias (Série em aberto que continua a ser desenvolvida)

Este projecto parte de uma pesquisa e exploração da minha história pessoal. Senti-me compelido a ouvir, registar e criar um arquivo dos contos que a minha avó materna me contava quando era criança. Estas estórias, passados tantos anos, eram para mim apenas memórias desvanecidas e incompletas. Ouvi-las novamente trouxe uma torrente de imagens e emoções. Partindo destas impressões, compus fotografias com a intenção de registar a imagem mental e sensorial que surge ao ouvir as descrições dos cenários e personagens que permeiam estes mundos. Imagens que são inevitavelmente tingidas pela experiência que tive ao imaginá-las em criança. Procurei, acima de tudo, dar forma à presença misteriosa, aterradora, bonita e incompreensível que se faz sentir a cada estória. Durante este processo, tomou particular relevância a relação antagónica entre o ser humano e o monstruoso, a floresta incompreensível e o não-humano. O interior da terra e as suas entranhas surgem como símbolo da natureza críptica e indecifrável da consciência não-humana, que, nas estórias, aparece como irreconciliável com a figura do Herói. As imagens foram criadas fazendo composições em várias camadas através da sobreposição de vidros. Para este fim utilizei as velhas e empoeiradas janelas que foram retiradas da antiga casa do meu avô. Casa onde minha avó também viveu quando a minha mãe e as minhas tias eram crianças. Usando estes vidros criei sobreposições utilizando elementos naturais recolhidos no espaço circundante desta propriedade e diversas luzes, incluindo dois candeeiros esféricos.

Floresta de Prata (instalação)

Instalação numa sala escura: uma tela com um anel de luz projetado
Instalação numa sala escura: uma tela com uma imagem projetada

Ano_

2024

Formato_

Instalação (2 Video projecções, Som stereo, Tela semi-transparente)

Na tela semi transparente, são projetados dois vídeos de lados opostos criados a partir da série fotográfica Floresta de Prata. As imagens foram compiladas e transformadas usando técnicas de animação stop-motion e outras diversas manipulações. Cada trecho de imagem ou vídeo é acompanhado por uma composição sonora som que toca em simultâneo com a respectiva vídeo-projecção. Através das vídeo-projeções, vindas cada uma de um lado diferente, que se sobrepõem num plano central procura-se emular o vidro, ou a janela, que serve como ponto de partida físico para a criação destas imagens. Um lado de fora, um lado de dentro, sempre em movimento e em troca. Os vídeos de cada canal são reproduzidos independentemente e de forma aleatória. Cada vídeo tem uma duração diferente. Desta forma, os vídeos, e seus respectivos sons, intercalam-se e misturam-se sempre de forma aleatória potencialmente geradora de novos significados e composições. Através destas sobreposições, criadora de novas imagens, novos sons, novos significados e novas histórias. Pretende-se abrir o espaço para a representação além do humano e além da história acorrentada na linearidade do mito do herói que permeia a vasta maioria dos contos, e mitos da civilização ocidental.

O Cavador

Fotograma de O Cavador: um homem de camisa aos quadrados entre a vegetação, de noite
Fotograma de O Cavador: o homem de pé num campo iluminado, de noite

Ano_

2024

Formato_

Curta Metragem Duração: 09m:14s

Contexto_

Curta metragem criada no âmbito do 1º ano do Mestrado em Artes do Som e da Imagem da Escola Superior de Artes e Design das Caldas da Rainha.

Breve Sinopse: A noite é escura e um homem caminha pelo mato levando consigo a sua enxada. Chegado a um lugar talvez previamente designado, empunha a ferramenta e cava afincadamente. A cova cresce e afunda a cada um dos seus golpes. Terminado o seu labor, o cavador adentra na cova que abriu, atravessando para um mundo subterrâneo e incompreensível. Do indecifrável floresce uma luz que ofusca e consome, insinuando um novo portal. A curta metragem pode ser vista na íntegra aqui: https://www.youtube.com/watch?v=eaaiwAYcFUI